sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Passos ao alvorecer

Enquanto o silêncio de minhas palavras, busco um auxílio. A movimentação em redor não para e o barulho é enlouquecedor, mas nada ouço, meus olhos calados apenas observam.
Sozinho, interrompo o silêncio com minha voz e procuro. Retenho as palavras, retenho os olhares. Talvez não faça sentido, pode parecer sem propósito como um retalho de frases pela metade, mas é apenas o meu eu sincero.
O ciclo se refaz, a lucidez se reconstrói. O princípio é exasperante, logo após, me desfaço em um ânimo fugaz até avistar as flores da primavera e o sol de brilho diferente que penetra meus olhos (e entre da primavera as flores eu vi a flor que não somente seria da primavera, mas de toda a vida). É então que olho ao redor e vejo tudo que foi dito e tudo que busquei como um quebra-cabeça quase completo.
Eu talvez descreva como silêncio, o silêncio da espera, o silêncio do olhar, da análise cuidadosa e demorada, o silêncio da mudança.
O ânimo explosivo e precipitado em calmaria, mas confesso, tudo se repete e a paciência se perde, se perde pelo desespero e pelos olhos. Digo que não quero, mas quero a serenidade e lucidez que sempre descubro à primavera, e sobresta não é metáfora.
Uma atitude se cobra. Um passo de cada. Olho para frente, olho para agora. Saber pôr um pé na frente do outro e respirar.
Falo, falo e logo calo. Deixo minhas palavras pela metade como se as engolisse subitamente, e ficam as perguntas nos olhares. O cuidado para não soprar promessas, para não jogar palavras ao vento. O que diria em público, agora em secreto, mas como um pedido, como um anelo de mudança, enquanto silêncio, à luz da fresta da janela.
Busco palavras amigas, ou apenas aliviar a garganta, mas ninguém encontro. Há momentos de solidão, há momentos de abandono, momentos de autodescoberta. Não. Não sozinho. Há alguém ao lado a espera de minha voz, lembrei agora, enquanto silêncio, à luz da fresta duma janela.
Lucidez. Havia esquecido tudo que foi dito e o que havia pedido. Deparei-me com alguém, Deus não se esqueceu, eis o meu sorriso, o sorriso dela.
Foram dadas as mãos, apesar das dificuldades. Não quero esconder a verdade, as mãos ainda não confiam muito, mas querem. Algumas feridas e cicatrizes ainda doem, a confiança ainda em construção como uma ponte, de um para o outro, partindo de ambas extremidades.
Silêncio, os olhos em silêncio, o peito em silêncio, os lábios em silêncio. Já estou ao lado, não posso abandonar, não por minha vontade. Pelo que agora sei não posso seguir deixando para trás, vou acompanhar, vou esperar, esperar...
E eis outros momentos no coração para avistar outros alvos, que se unem em outro tempo que não avisto. Propósitos que seguem sozinhos em um alvo comum, tornando-se um ao amanhecer.
Já parece não haver sentido, mas há em tudo que agora vejo embora não veja o fim, mas sigo olhando para o alvo, lembrando das palavras outrora lançadas, alcançar pela fé.
Rodrigo Santos.

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