segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Primeiro momento

Apenas um nome não me faz lembrar dela. Preciso ver seu rosto, seus cabelos, seus olhos, ouvir a sua voz, seu jeito, e ficarei com sua imagem em minha mente.
Preciso que nossos olhos se encontrem a qualquer momento, qualquer hora, sem aviso, a se procurar, e passem a fitar-se de forma a paralisarnos por alguns segundos, incontáveis segundos. Incontável tempo em que tudo para, tudo parece imerso, e parece existir apenas nossos olhares entrelaçados; a respiração para, o estômago congela como um turbilhão de coisas a se misturar. Existem apenas nossos olhos a se adentrar. E por horas fico a lembrar daqueles pequenos e negros olhos de brilho singelo e singular.
Preciso ouvir sua voz a me perguntar coisas estranhas apenas para cortar o nosso silêncio. As vozes que nos trazem para o sorriso.
Preciso ver sua face desastradamente coberta pelos cabelos enquanto ri, e logo em seguida os arrumar delicadamente com as pontas dos dedos inclinando levemente a cabeça para o lado, e o meigo sorriso ainda na face.
E desta vez, com o silêncio cortado, o tempo corre tão depressa que parece não caber no relógio. Horas que passam em alguns minutos, talvez segundos, e já temos que nos despedir.
E espero o tempo passar, agora novamente a não querer passar, para novamente encontrarnos e tudo com um novo olhar recomeçar.

Rodrigo Santos.

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